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» » » [Entrevista] Victor M. Leão autor do Universos RPG
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Com as diversas possibilidades fornecidas através dos financiamentos coletivos, muitos designer de jogos e entusiastas do hobby passaram a desenvolver e colocar a disposição de todos na internet as suas criações, pleiteado uma forma de publicar. Foi-se o tempo em que os “designer caseiros” desenvolviam o seu jogo e apresentava, quando apresentava, apenas para o seu grupo regular de jogo.

Com todo esse conceito em mente, o Blog Filhos da Gehenna está acompanhando o financiamento coletivo do Universos RPG que está no Catarse do autor Victor M. Leão. Mas antes de apresentar a minha resenha do Universos RPG, vamos conhecer um pouco mais o autor Victor M. Leão, confiram a entrevista.


FILHOS DA GEHENNA: Vamos começar com a costumeira pergunta... Quem é Victor M. Leão?
Victor M. Leão: É um maluco sonhador que adora RPG, não necessariamente nessa ordem. Tenho 32 anos, alguns bons anos como jogador de RPG e experiência com game design.

FILHOS DA GEHENNA: Há quanto tempo joga RPG?
Victor M. Leão: Comecei ainda moleque, com 11 anos. Eu, meu irmão Marcos Paulo e meu primo tínhamos ouvido falar sobre. E aí um belo dia nos deparamos com aquele maravilhoso exemplar de First Quest à venda em uma banca de jornais. Foi amor à primeira vista, tivemos que comprar. Aí começou uma longa história minha com o RPG de mesa.

FILHOS DA GEHENNA: O que tem jogado atualmente? Mantém algum grupo regular?
Victor M. Leão: Pouquíssima coisa. Tenho 3 empregos, aí sobra pouco tempo para jogar. Todo o tempo que tenho é investido no Universos, seja narrando em eventos ou dando palestras. De madrugada é que eu viro lobisomem e passo horas escrevendo, seja material para o sistema ou para a Revista Fireball.

FILHOS DA GEHENNA: Quem você admira no atual cenário do RPG em Fortaleza – CE?
Victor M. Leão: Admiro todos, principalmente aqueles que se dedicam ao movimento, promovendo eventos de RPG em espaços públicos. Por falar nisso, gostaria de parabenizar a todos os que estão por traz dos eventos que fomentam a cena local de RPG: Vila do RPG, Covil do RPG, FORPG, Soul+ RPG etc. Acho que todos temos que nos unir, afinal, “a união faz a força”. E parabéns também a todos aqueles que têm páginas de RPG, blogs, vlogs etc., como vocês.


FILHOS DA GEHENNA: Qual Editora você admira no atual cenário do RPG a nível nacional?
Victor M. Leão: Vou ficar em cima do muro (risos). Gosto de todas, das maiores e também das mais independentes. Acho que todas cumprem bem o seu papel.

FILHOS DA GEHENNA: Como foi a concepção do Universos RPG?
Victor M. Leão: Acho que a mesma da maioria dos RPGs: queríamos jogar do nosso jeito, com regras que faziam sentido para nós. Tudo começou com um grupo de adolescentes que jogavam RPG, só que entre eles havia um chato: era eu. Sempre fui de questionar as coisas e querer fazer do meu jeito. Foi aí que eu e meu irmão, Marcos Paulo, começamos a desenvolver o que seria o precursor do Universos. Jogamos esse sistema por anos, ele sequer tinha nome, mas o que importava é que nos divertia. Quando decidi escrever o Universos, reformulei muita coisa, mas a essência de algumas mecânicas continuou a mesma, como a questão do teste de defesa ser feito pelo personagem alvo do ataque, e a Reação, que na época chamávamos de D.P.R. (Destreza, Percepção e Raciocínio). Mas muita coisa mudou, como a forma do teste e a questão de todo teste ser contra uma dificuldade. O sistema também acabou ganhando novas características marcantes: a lógica da velocidade do ataque influenciar na dificuldade da defesa do mesmo ataque e a relação que o nível de um atributo tem com diversos fatores. No Universos, o jogador deve explorar a mecânica a seu favor: se seu personagem for muito forte, mas não for ágil, então é melhor ele ter uma arma de dano alto e lenta, pois não adianta ter uma arma de velocidade alta se a agilidade do personagem é baixa. Isso já acontece em jogos digitais, mas não em muitos RPGs.

FILHOS DA GEHENNA: Como você apresenta o Universos RPG aos seus novos jogadores?
Victor M. Leão: Um sistema universal, flexível e de mecânica elaborada sem ser difícil de aprender. É basicamente isso.

FILHOS DA GEHENNA: O Universos RPG foi o seu primeiro projeto de elaboração de jogo?
Victor M. Leão: De RPG sim, mas eu sempre tive esse lance de querer fazer meus próprios jogos. Foi isso que meu levou a formar uma equipe de desenvolvimento de jogos digitais, e foi lá que eu ganhei muita experiência como game designer.

FILHOS DA GEHENNA: Quais foram as suas influências na elaboração do Universos RPG?
Victor M. Leão: Olha, não sou desses jogadores que já jogaram mil RPGs diferentes. O que eu joguei muito foi AD&D, Vampiro, Mago e Lobisomem. Teve outros RPGs que joguei, mas apenas jogos casuais. Comecei a jogar pelo First Quest, que era uma espécie de Quick Starter do AD&D 2ª edição. Eu tinha apenas onze anos. Lá pelos 15 ou 16, conheci o Vampiro, e foi aí que tudo começou. Saber que existia a possibilidade de construir o personagem comprando os pontos e distribuindo-os da forma que eu queria causou um blow mind em mim. Aí comecei a questionar tudo, todas as regras.


FILHOS DA GEHENNA: Por que elaborar um sistema de RPG, se temos diversos no mercado?
Victor M. Leão: Muita gente me faz essa pergunta. Acho uma pergunta boba. É como perguntar “por que inventar um novo carro se já existem tantos modelos?”. Cada RPG tem suas peculiaridades, suas características, e isso influencia diretamente na experiência dos jogadores. É isso que eu quero levar até vocês: um sistema de regras com uma mecânica robusta e bem trabalhada, que é complexa sem ser difícil. Esse é o ponto forte do Universos: complexidade sem dificuldade. Como já falei em outras entrevistas, Universos é muito simples, mas não é um dos mais simples. Existem RPGs no mercado que são extremamente fáceis, mas essa não é a proposta do Universos. Um sistema de regras onde tudo seja lógico e interligado, com uma mecânica coesa e que não seja difícil de aprender.

FILHOS DA GEHENNA: Por que adotou a plataforma de financiamento coletivo Catarse?
Victor M. Leão: Quero fazer isso bem feito, não de qualquer jeito. Muita gente me questionou dos valores do financiamento, mas elas não sabem como é caro imprimir em pequena escala, como ilustrações originais são caras, como é trabalhoso escrever três livros. Eu ainda nem sei se o valor total da campanha conseguirá pagar tudo, é provável até que eu fique no prejuízo. Mas não tem coisa que eu queira mais nesse momento do que lançar o Universos.

FILHOS DA GEHENNA: Quais foram as maiores dificuldades para desenvolver o Universos RPG?
Victor M. Leão: Aceitação, com certeza. Por um lado, muitos jogadores se prendem aos RPGs que estão acostumados, nem se dão a chance de ter novas experiências. Acho que eles pensam que RPG é igual ao futebol. Não estamos torcendo por times, não é traição se você jogar outro RPG. O outro lado é o que chamam de “complexo de vira-latas”: o brasileiro não acredita no brasileiro, ele idolatra o que vem de fora e ignora o que surge aqui. Isso é péssimo para nós, porque muitas ideias boas morrem por falta de apoio e incentivo. Muita gente está me apoiando nesse projeto e agradeço muito por isso, mas ainda acho que é pouco. As pessoas não percebem que, se todos nós nos apoiarmos, cresceremos juntos. Hoje você apoia o meu projeto, amanhã eu apoio o seu.

FILHOS DA GEHENNA: Quais são os seus sistemas / cenários de RPG preferido?
Victor M. Leão: Sistema? Universos. Sério mesmo. Vários cenários me fascinam, mas eu tenho muita nostalgia pelo bom e velho Forgotten Realms, mas tem muita coisa nova e nacional de qualidade espetacular!

FILHOS DA GEHENNA: Quais os futuros projetos de Victor M. Leão?
Victor M. Leão: Na parte de RPG? Não faço a menor ideia (risos). O Universos e a Revista Fireball estão me ocupando bastante por enquanto. Mas também gosto muito de jogos de tabuleiro, jogos de cartas, jogos digitais... Mas lançar o Universos é apenas o primeiro passo do projeto.

FILHOS DA GEHENNA: O que realmente irá encantar os jogadores no Universos RPG?
Victor M. Leão: Não faço a menor ideia. É uma pergunta que não temos como saber a resposta, porque não tem como eu adivinhar o gosto do consumidor. O que eu mais gosto é a mecânica de combate e a construção e evolução livre do personagem, mas os cenários também estão muito bons. Jonas e Inácio estão fazendo um trabalho espetacular.

FILHOS DA GEHENNA: Quando será realizada a próxima sessão pública do Universos RPG?
Victor M. Leão: Estou sempre narrando em eventos e dando palestras. Para quem tiver Facebook é só curtir a nossa página que sempre anunciamos os eventos por lá. Também publico vídeos, faço lives, posto artes do Martuscelli etc.

FILHOS DA GEHENNA: Para encerrar, quero agradecer por ceder essa entrevista para o Blog Filhos da Gehenna e pessoalmente estou torcendo para que o RPG Universo alcance a meta de financiamento e supere todas as metas extras.

Victor M. Leão: Eu que agradeço pelo convite e oportunidade. Espero que essa conversa se repita no futuro, será um prazer. Sigam a nossa página no Face para ficarem informados sobre nossos eventos e notícias. Também estamos no Instagram, é só procurar por Universos RPG ou universosrpg nas redes sociais. Obrigado!


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Autor Jan Piertezoon

A Mente maléfica por trás da criação do Blog Filhos da Gehenna, (ir)responsável pela narração da atual crônica do blog apresentado no podcast. Aficcionado por jogos de interpretação, onde o sistema preferido para as minhas crônicas é o Storyteller e Storytelling. Um colecionador de livros de RPG e um grande consumidor de podcast. RPG Mainstream ou Indie não importa, jogo todos!!!
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